A inteligência artificial generativa já faz parte da rotina de muitos profissionais do Direito. No jurídico empresarial, ela pode apoiar a análise inicial de contratos, a pesquisa jurídica, a elaboração de minutas e a organização de informações. O ganho de tempo, porém, depende de um cuidado indispensável: conferir as respostas antes de usá-las.
Ferramentas baseadas em modelos de linguagem, como ChatGPT e Claude, conseguem produzir textos, resumir documentos e ajudar a explorar diferentes cenários. Elas também podem apresentar informações incorretas ou referências inexistentes. Por isso, servem como apoio ao trabalho jurídico, sob supervisão do profissional responsável.
O uso de IA no Direito avançou no Brasil
O Relatório sobre o Impacto da IA no Direito, edição de 2026, indica que cerca de três em cada quatro participantes utilizam IA generativa pelo menos uma vez por semana na rotina profissional. Na edição de 2025, esse grupo representava 55% dos respondentes.
O dado mostra o avanço entre os participantes das pesquisas, mas pede cautela: a participação foi voluntária, e os próprios autores apontam a possibilidade de maior presença de profissionais interessados em tecnologia. Portanto, o percentual não deve ser apresentado como medida exata de toda a advocacia brasileira.
O que muda no trabalho do advogado?
A IA pode reduzir o tempo gasto na preparação de uma primeira versão de documento ou na organização de um volume grande de informações. Esse tempo pode ser dedicado à análise do contexto, à negociação e à avaliação dos riscos para o cliente.
Para aproveitar a ferramenta com critério, três capacidades ganham relevância:
- Conhecer seus limites: entender quais tarefas podem receber apoio da IA e quais informações exigem conferência direta.
- Validar o conteúdo: verificar fatos, fundamentos jurídicos, citações e jurisprudência nas fontes originais.
- Aplicar julgamento profissional: interpretar o caso concreto e decidir o que faz sentido para a estratégia do cliente.
A ferramenta pode ajudar a preparar o trabalho. A avaliação jurídica e a decisão sobre o que será entregue continuam exigindo atuação humana. Essa distinção está presente nas recomendações do Conselho Federal da OAB para o uso de IA generativa.
Sigilo, dados e responsabilidade exigem regras claras
Antes de inserir contratos, pareceres ou informações de clientes em uma ferramenta, o jurídico precisa avaliar como o fornecedor trata os dados, quem pode acessá-los e se eles podem ser utilizados para treinar o sistema. Também deve definir o que a equipe pode compartilhar e como fará a revisão das respostas.
Em 2024, o Conselho Federal da OAB publicou recomendações que abordam confidencialidade, privacidade, supervisão humana e verificação das informações. Em 2026, lançou um plano nacional voltado à capacitação e ao uso responsável da tecnologia na advocacia. Assim, o debate já conta com orientações institucionais, embora as práticas continuem em desenvolvimento.
Como começar no jurídico empresarial
Um caminho prático é identificar tarefas em que a IA possa apoiar a equipe, estabelecer quais dados podem ser inseridos nas ferramentas e definir quem revisa cada entrega. Também vale acompanhar se o uso está economizando tempo sem comprometer a precisão e o sigilo.
A questão para o jurídico empresarial não é apenas adotar IA. É decidir onde ela ajuda, quais riscos cria e quais controles permitem usá-la com responsabilidade.futuro, estarão ajudando a construí-lo, definindo os padrões éticos e práticos dessa nova era da advocacia.