Fornecedores do Simples Nacional: como IBS e CBS podem mudar o custo das compras em 2027

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Pessoa segurando um celular em imagem sobre fornecedores do Simples Nacional

A Reforma Tributária não acaba com o Simples Nacional. A partir de 2027 as empresas optantes poderão escolher como recolher IBS e CBS. Essa decisão pode afetar créditos, preço, margem e competitividade.

Imagine uma pequena indústria que fornece produtos de limpeza para uma rede de supermercados. Hoje, a negociação considera preço, prazo, qualidade e capacidade de entrega. Com a Reforma Tributária, uma nova pergunta pode ganhar espaço:

Quanto de crédito de IBS e CBS essa compra gera para o supermercado? A resposta pode influenciar a comparação entre fornecedores e o resultado da venda.

O que muda para o Simples Nacional em 2027?

As empresas poderão seguir por dois caminhos:

  • manter IBS e CBS dentro da guia única do Simples Nacional;
  • apurar e recolher esses dois tributos pelo regime híbrido.

No segundo caminho, a empresa permanece no Simples para os demais tributos. Portanto, optar pelo regime regular de IBS e CBS não significa sair integralmente do Simples Nacional.

A primeira janela de opção para o regime híbrido será de 1º a 30 de setembro de 2026, com efeitos de janeiro a junho de 2027. Caso a empresa não faça a opção, IBS e CBS permanecerão na guia única durante esse período.

Mais do que uma escolha tributária, essa decisão pode alterar a posição da empresa na cadeia de fornecedores.

Qual é a diferença entre os dois caminhos?

IBS e CBS pelo Simples Nacional, sem adesão ao modelo híbrido

A empresa continua recolhendo os tributos dentro da guia única, preservando uma operação fiscal menos complexa.

Quando o cliente estiver no regime regular, poderá aproveitar os créditos correspondentes aos valores de IBS e CBS informados no documento fiscal, dentro dos limites e requisitos legais.

Por isso, não é correto afirmar que uma empresa do Simples não gera nenhum crédito ao comprador. A questão é entender quanto crédito será gerado e qual será seu peso na negociação.

IBS e CBS pelo regime híbrido

Nesse modelo, IBS e CBS são apurados separadamente dos demais tributos. A empresa poderá aproveitar créditos em suas próprias compras, conforme as regras aplicáveis, enquanto o crédito do cliente seguirá a sistemática do regime regular.

Em contrapartida, a escolha exige mais controles fiscais, adequações no ERP, revisão dos documentos fiscais e maior capacidade de acompanhamento da apuração.

Como essa escolha pode aparecer na venda para um supermercado?

Considere dois fornecedores do Simples vendendo o mesmo produto para um supermercado sujeito ao regime regular:

Comparação ilustrativaFornecedor AFornecedor B
Recolhimento de IBS e CBSGuia do SimplesRegime regular – Modelo Híbrido
Preço da propostaR$ 10.000R$ 10.400
Crédito para o supermercadoR$ 300R$ 1.200
Preço menos o créditoR$ 9.700R$ 9.200

O Fornecedor B apresenta um preço R$ 400 maior, mas representa R$ 500 a menos quando se considera apenas a relação entre preço e crédito.

Isso mostra que o menor preço na nota nem sempre será o menor custo para o cliente.

Os valores são exclusivamente ilustrativos. O cálculo real depende do produto, da operação, das alíquotas aplicáveis e dos requisitos para utilização dos créditos. Frete, prazo, descontos, qualidade e condições de pagamento também precisam entrar na comparação.

Quais empresas podem sentir mais esse impacto?

A decisão tende a ser mais relevante para empresas que vendem para:

  • supermercados e redes varejistas;
  • indústrias;
  • distribuidores;
  • grandes empresas sujeitas ao regime regular;
  • clientes que consideram créditos na negociação.

Nas operações entre empresas, o comprador pode comparar o custo da aquisição depois dos créditos, e não somente o preço apresentado na proposta.

Para negócios concentrados no consumidor final, essa lógica pode ter menos peso, pois o consumidor não aproveita créditos tributários. Nesse caso, carga efetiva, preço e custo operacional podem ser mais relevantes.

Na visão das empresas do Simples Nacional, o regime regular será sempre mais vantajoso?

Não. Gerar mais crédito para o cliente não significa, automaticamente, preservar a margem do fornecedor.

A empresa também precisa considerar:

  • os créditos disponíveis em suas próprias compras;
  • o perfil tributário dos principais clientes;
  • o impacto sobre preço e margem;
  • o custo de adaptação do ERP;
  • a capacidade da equipe fiscal;
  • o efeito no caixa e no capital de giro;
  • as possíveis revisões nos contratos comerciais.

Uma empresa pode gerar mais crédito ao cliente e, ainda assim, assumir uma carga ou um custo operacional que torne a escolha pouco vantajosa.

A decisão precisa ser baseada nos números da operação.

O que as empresas que possuam fornecedores do Simples Nacional devem avaliar antes de setembro de 2026?

  1. Identificação e mapeamento de todos os fornecedores optantes do Simples Nacional;
  2. Envio de carta formal de orientação sobre a opção híbrida e os impactos. Prazo recomendado: Agosto/2026;
  3. Acompanhamento da adesão até 30/09/26;
  4. Atualizar cadastro de fornecedores com status da opção no RP.

Perguntas frequentes

O Simples Nacional vai acabar?

Não. O regime permanece. A mudança permite que a empresa escolha como IBS e CBS serão apurados.

Optar pelo regime híbrido significa sair do Simples?

Não. A empresa pode continuar no Simples para os demais tributos e recolher apenas IBS e CBS pelo regime regular.

Uma empresa do Simples gera crédito ao cliente?

Sim, em determinadas operações e observados os requisitos legais. Quando IBS e CBS permanecem na guia única, o crédito do comprador fica limitado aos valores informados no documento fiscal.

Toda empresa que vende para outras empresas deve escolher o regime híbrido?

Não. Ter clientes empresariais aumenta a importância da análise, mas não determina a resposta. Compras, margem, sistemas, contratos e custos operacionais também precisam ser considerados.

O que acontece se a empresa não fizer a opção em setembro de 2026?

IBS e CBS permanecerão na guia única do Simples Nacional durante o primeiro semestre de 2027.

A decisão começa antes do prazo

A escolha entre manter IBS e CBS na guia única ou adotar o regime regular não deve ser feita apenas no momento de acessar o portal.

Para fornecedores de supermercados, indústrias ou grandes redes, essa decisão pode aparecer diretamente na negociação comercial. Um tema tributário deixa de ser apenas fiscal quando afeta preço, crédito, margem e capacidade de vender.

Quer entender qual caminho faz mais sentido para sua empresa? Envie uma mensagem ao AFA e avalie os dois cenários antes de decidir.

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